Anatel exigirá reconhecimento facial para linhas de celular; veja os prazos e as regras
Published on · Source: g1

A Anatel anunciou uma nova medida de segurança para o setor de telefonia móvel no Brasil: a exigência de reconhecimento facial com prova de vida para validar linhas de celular de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs). A iniciativa busca dificultar o uso de documentos falsos, reduzir fraudes cadastrais e impedir que criminosos utilizem dados de terceiros para ativar números telefônicos. A implementação será gradual, com prazos definidos para as operadoras adaptarem seus sistemas e regularizarem os cadastros existentes. O processo deverá alcançar todos os usuários até o final de 2028, enquanto as linhas que permanecerem irregulares poderão sofrer restrições a partir de 2029.
Como vai funcionar a prova de vida exigida pela Anatel
A nova regra prevê que as operadoras utilizem mecanismos de reconhecimento facial para confirmar a identidade dos clientes durante o cadastro ou a regularização das linhas telefônicas. A tecnologia permitirá comparar a imagem apresentada pelo usuário com registros disponíveis em bases de dados públicas ou privadas, ajudando a verificar se as informações correspondem à pessoa que solicita o serviço.
A chamada prova de vida também tem a finalidade de dificultar tentativas de fraude com fotografias, imagens manipuladas ou dados pessoais obtidos ilegalmente. Esse tipo de verificação procura confirmar que o procedimento está sendo realizado pela própria pessoa, e não apenas por alguém que tenha acesso a seus documentos.
O procedimento poderá ser realizado pelos canais digitais das operadoras, incluindo sites e aplicativos, além dos pontos de atendimento presencial. Dessa forma, os consumidores deverão ter alternativas para concluir a validação, conforme os recursos disponibilizados por cada empresa.
A Anatel também prevê a possibilidade de utilizar métodos alternativos quando o reconhecimento facial não estiver disponível. Essa previsão é importante porque nem todos os clientes conseguem realizar uma verificação biométrica com facilidade, seja por limitações técnicas, dificuldades de acesso aos canais digitais ou outras circunstâncias que impeçam a conclusão do procedimento convencional.
Calendário de implementação da nova regra para linhas de celular
A adoção da prova de vida não ocorrerá de uma só vez. O cronograma divulgado pela agência estabelece etapas distintas para novas contratações, alterações cadastrais e regularização dos usuários que já possuem números ativos.
Os prazos definidos são os seguintes:
30 de setembro de 2027: as operadoras deverão adotar a validação para novas linhas pré-pagas.
31 de dezembro de 2027: a exigência deverá ser implementada para novas linhas pós-pagas, portabilidade numérica, troca de chip e alterações cadastrais ou contratuais solicitadas pelos clientes.
31 de dezembro de 2028: termina o prazo para recadastrar os demais usuários que ainda não tiverem passado pela validação.
A divisão em etapas permite que as empresas adaptem seus sistemas e procedimentos antes de ampliar a exigência para toda a base de clientes. Para os consumidores, isso significa que a necessidade de realizar o reconhecimento facial poderá surgir em momentos diferentes, dependendo do tipo de linha e da operação solicitada.
Quem pretende trocar de chip, mudar dados cadastrais ou transferir seu número para outra operadora deverá ficar atento às orientações da empresa responsável pelo serviço. A recomendação é acompanhar os comunicados oficiais e manter os dados de cadastro atualizados, evitando deixar a regularização para os últimos momentos do calendário.
O que acontece com quem não validar a linha telefônica
A partir de 2029, as linhas que não estiverem regularizadas estarão sujeitas à suspensão e, posteriormente, ao cancelamento. Isso significa que deixar de cumprir a exigência poderá comprometer a continuidade do serviço, especialmente quando o cliente precisar utilizar o número para chamadas, mensagens ou recebimento de códigos de autenticação.
O impacto pode ir além da comunicação cotidiana. Atualmente, o número de celular é utilizado para recuperar senhas, confirmar transações, acessar contas digitais e receber notificações de diferentes serviços. Por isso, perder o acesso a uma linha pode causar dificuldades adicionais para quem depende do telefone para atividades profissionais, bancárias e pessoais.
Antes de qualquer procedimento, entretanto, é importante verificar se a solicitação de reconhecimento facial realmente parte da operadora. Como a implementação de novas regras pode ser explorada por golpistas, mensagens que exigem o envio imediato de documentos, fotografias ou pagamentos devem ser tratadas com cautela.
O consumidor deve utilizar preferencialmente o aplicativo oficial, o site verdadeiro da empresa ou os canais de atendimento já conhecidos. Também é prudente evitar links recebidos de remetentes desconhecidos e não compartilhar senhas ou códigos de confirmação durante uma suposta validação cadastral.
Segurança digital e proteção dos dados dos consumidores
A adoção do reconhecimento facial levanta uma questão importante: como as informações biométricas serão tratadas e protegidas? Imagens faciais são dados pessoais sensíveis, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e seu uso exige cuidados específicos com finalidade, segurança, acesso e tratamento das informações.
As operadoras deverão observar as obrigações legais aplicáveis ao tratamento desses dados, incluindo medidas para reduzir riscos de acesso indevido, vazamentos e utilização incompatível com a finalidade informada. Para os clientes, compreender quais informações estão sendo solicitadas e por quais canais elas serão processadas é uma parte importante da segurança.
A medida também reforça a necessidade de equilíbrio entre prevenção de fraudes e proteção da privacidade. Embora a biometria possa contribuir para dificultar cadastros fraudulentos, sua eficácia depende da qualidade dos procedimentos, da segurança dos sistemas e da existência de alternativas adequadas para quem não consegue concluir a verificação facial.
No cenário digital, a identidade telefônica passou a ter um papel cada vez mais relevante, tanto para a comunicação quanto para a confirmação de operações em diferentes plataformas. Por isso, iniciativas destinadas a reduzir fraudes precisam ser acompanhadas de transparência, proteção de dados e orientações claras ao público.
A nova exigência da Anatel representa uma mudança significativa no processo de validação das linhas de celular no Brasil. Com a implementação gradual prevista até 2028, os consumidores terão de acompanhar as instruções de suas operadoras e verificar a regularidade de seus cadastros para evitar problemas futuros. Mais do que cumprir uma obrigação, manter os dados corretos e utilizar canais oficiais será fundamental para preservar o acesso ao serviço e reduzir a exposição a golpes.